Gestão do Conhecimento em Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico
Estratégias para Sustentabilidade e Inovação
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6675Palavras-chave:
Gestão do Conhecimento, Institutos de Pesquisa, InovaçãoResumo
O documento analisa a importância da Gestão do Conhecimento (GC) em instituições de pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D), com foco nos institutos da Rede SENAI de Inovação, sob coordenação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e apresenta uma proposta metodológica para estruturação de práticas de GC orientadas à sustentabilidade e à inovação. A pesquisa parte do entendimento de que o conhecimento é um ativo essencial dessas organizações, responsável por impulsionar a geração de soluções tecnológicas, a continuidade de projetos estratégicos e a retenção de competências críticas.
O trabalho está organizado de forma a abordar, inicialmente, o contexto da inovação industrial brasileira e os esforços do SENAI para estabelecer uma rede nacional de Institutos de Inovação, destacando o papel estratégico dessas unidades na transformação digital da indústria. Em seguida, fundamenta teoricamente os conceitos de Gestão do Conhecimento, mapeando autores de referência como Nonaka & Takeuchi, Davenport & Prusak, e Probst et al., além de apresentar normas internacionais, como a ISO 30401 (Gestão do Conhecimento) e a ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade), que oferecem orientações práticas para estruturação de políticas e processos de GC.
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, descritiva e participativa, com a realização de estudo de caso em duas frentes principais: os Institutos SENAI de Inovação e a estrutura de governança da CNI. Para isso, foi aplicado um processo de diagnóstico que envolveu a coleta e análise de dados por meio de entrevistas com gestores, aplicação de questionários a profissionais das unidades de inovação e condução de oficinas com especialistas. O diagnóstico permitiu identificar práticas já existentes de GC, lacunas, oportunidades e desafios em relação à institucionalização da gestão do conhecimento nos institutos.
A partir das evidências coletadas, o trabalho propõe uma metodologia em cinco fases para implementação da GC nos institutos: (1) Iniciação, (2) Diagnóstico, (3) Planejamento, (4) Execução, e (5) Monitoramento e Melhoria Contínua. A fase de iniciação compreende a sensibilização da alta liderança e o estabelecimento de objetivos estratégicos para a GC, reforçando seu papel como elemento transversal às atividades de inovação. Na fase de diagnóstico, realiza-se o levantamento de ativos de conhecimento, práticas existentes, riscos de perda e percepção dos colaboradores quanto à cultura de compartilhamento. O planejamento envolve a definição de políticas, papéis, processos e tecnologias, sempre alinhados à estratégia organizacional e às necessidades específicas de cada instituto. A execução contempla a implementação de ferramentas e práticas como comunidades de prática, programas de mentoria, gestão de lições aprendidas, sistemas de documentação técnica e plataformas colaborativas. Por fim, o monitoramento estabelece indicadores e mecanismos de avaliação da eficácia das ações de GC, promovendo sua melhoria contínua.
O estudo destaca diversos desafios enfrentados na gestão do conhecimento em ambientes de P&D, entre eles a dificuldade de retenção do conhecimento tácito detido por especialistas seniores, a ausência de processos formais para registro e reutilização de informações críticas, a alta rotatividade de profissionais, e a escassez de incentivos institucionais à cultura de compartilhamento. Além disso, ressalta-se a necessidade de integração entre diferentes níveis hierárquicos e unidades organizacionais, bem como a importância de incorporar a GC nos processos de onboarding e na memória organizacional dos projetos.
Entre os benefícios esperados da adoção estruturada da GC estão o aumento da produtividade técnica, a redução do retrabalho, a melhoria da comunicação interunidades, o fortalecimento da aprendizagem organizacional e a ampliação da capacidade de inovação dos institutos. O trabalho enfatiza que a GC não deve ser tratada como um fim em si mesma, mas como um meio para apoiar os objetivos estratégicos da organização, tornando-se um componente essencial do ecossistema de inovação.
O modelo proposto é validado por meio de sua aplicação piloto em unidades voluntárias da rede SENAI de Inovação, com resultados promissores em termos de engajamento, identificação de boas práticas e proposição de soluções colaborativas. O estudo também sugere que o sucesso da GC depende diretamente do comprometimento da liderança, da clareza na definição de papéis e responsabilidades, da existência de políticas institucionais claras e da criação de ambientes de confiança que favoreçam o compartilhamento.
Por fim, o trabalho conclui que a Gestão do Conhecimento é um vetor indispensável à sustentabilidade dos institutos de P&D, uma vez que possibilita a consolidação da memória técnica, a preservação do legado organizacional e a continuidade de iniciativas estratégicas, mesmo diante de mudanças estruturais. Reforça-se ainda a necessidade de monitoramento sistemático das ações implementadas e de fomento a uma cultura de aprendizagem contínua. Como recomendação, o estudo sugere a ampliação do modelo para outras instituições de ciência, tecnologia e inovação no Brasil, bem como o aprofundamento de pesquisas longitudinais que avaliem os impactos reais da GC sobre os resultados de inovação e competitividade das organizações.
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