Integridade da Ciência sob Pressão
Desafios Éticos e Informacionais no Campo Acadêmico
DOI:
https://doi.org/10.34630/xiedicic.vi.6635Palavras-chave:
Ética da Informação, produtividade acadêmica, integridade da informaçãoResumo
A Comunicação Científica constitui uma etapa fundamental no processo de produção do conhecimento, ao permitir a divulgação, validação e circulação dos resultados de pesquisa no seio da comunidade acadêmica. Desde suas origens — nas correspondências trocadas entre cientistas — até os atuais periódicos científicos, o processo passou por transformações significativas, sem, contudo, perder sua essência: conferir visibilidade, legitimidade e continuidade à atividade científica.
Ao longo do tempo, diferentes motivações impulsionaram os pesquisadores a publicar seus achados, destacando-se o reconhecimento pelos pares e os processos de avaliação institucional, que vinculam produtividade científica ao progresso na carreira. No entanto, essa dinâmica, frequentemente marcada por pressões por desempenho e competitividade, tem contribuído para o surgimento de comportamentos éticos questionáveis. Entre os chamados desvios de conduta científica, destacam-se a fabricação e falsificação de dados, o plágio, a omissão intencional de informações, a atribuição indevida de autoria, a publicação duplicada, o fracionamento de resultados (ciência salame), o ghostwriting, a atuação de fábricas de artigos, bem como a proliferação de editoras e periódicos predatórios e o sequestro de periódicos legítimos.
Somado a esse contexto de hiperprodutivismo acadêmico, destaca-se ainda a ansiedade da informação — uma condição associada à dificuldade de lidar com a sobrecarga informacional decorrente do volume excessivo de dados, publicações e estímulos disponíveis no ambiente digital. Essa ansiedade não apenas afeta a capacidade de discernimento e tomada de decisão dos pesquisadores, como também compromete a qualidade do consumo e da produção científica. A pressão para se manter atualizado diante do ritmo acelerado da ciência contemporânea pode gerar estresse, insegurança e decisões precipitadas, contribuindo, direta ou indiretamente, para a reprodução de práticas antiéticas ou a baixa qualidade dos trabalhos publicados.
A presente pesquisa, de caráter bibliográfico e documental, teve como objetivo identificar e discutir tais práticas indevidas a partir da literatura especializada. Partindo de uma abordagem histórica e conceitual da Comunicação Científica, buscou-se compreender como suas transformações ao longo do tempo impactam a integridade da pesquisa. Assim, ao reconhecer a centralidade da comunicação no fazer científico, reafirma-se a importância de discutir a ética, a responsabilidade e os efeitos psíquicos e sociais do atual ecossistema informacional como pilares fundamentais para a credibilidade da ciência.
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