Frutos imperfeitos: uma segunda vida com propriedades farmacológicas

Autores

  • Tatiana Ribeiro REQUIMTE/LAQV, Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida, 4200-072 Porto, Portugal
  • Pablo García Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade de Salamanca, 37007 Salamanca, Espanha
  • Luísa Barreiros LAQV, REQUIMTE, Departamento de Ciências Químicas, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto, 4050-313 Porto, Portugal
  • Patrícia Correia Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico do Porto, R. Dr. António Bernardino de Almeida 400, 4200-072 Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.26537/prpaeh.v3i2.6164

Palavras-chave:

maçã, desperdício alimentar, fermentação, atividade antimicrobiana, sustentabilidade

Resumo

Enquadramento: O desperdício alimentar é um problema significativo com impacto ambiental, económico e social [1-4]. As frutas e os legumes representam cerca de metade dos alimentos desperdiçados anualmente [5-10], sendo as maçãs um dos frutos mais rejeitados quando não apresentam a aparência apreciada pelo consumidor [11,12]. Este fruto é rico em fitoquímicos, mas muitos são complexos e têm baixa biodisponibilidade [13]. A fermentação é um processo metabólico em que açúcares complexos são convertidos em pequenos álcoois ou ácidos orgânicos [14, 15], compostos mais simples e com maior biodisponibilidade oral e cutânea [16]. Objetivo: Pretendeu-se valorizar, através de fermentação, a capacidade de inibição microbiana de desperdícios de maçã, aliando o conceito de economia circular e sustentável. Métodos: Estabeleceu-se uma colaboração com a cooperativa “Fruta Feia”, que tem como objetivo acabar com o desperdício alimentar de frutas e legumes devido à sua aparência imperfeita [17], para o fornecimento de maçãs. Fermentaram-se diferentes partes da maçã, preparadas de diversas formas e adicionando água estéril, em matrazes colocados numa estufa de incubação a 30 ºC. Foram recolhidas amostras a cada 24 horas e foi medido o pH. Os produtos fermentados foram analisados ​​para avaliar a atividade antimicrobiana através da medição do halo de inibição para várias espécies. Resultados: Os ensaios com utilização de polpa de maçã originaram um maior halo de inibição. A polpa e as sementes promoveram a produção de compostos ácidos, enquanto a casca não parece beneficiar o processo. Seria interessante variar o estado de divisão do fruto, bem como realizar testes de bioestimulação e bioinoculação. Relativamente às espécies testadas, a polpa fermentada de maçã demonstrou maior atividade no teste de sensibilidade para Staphylococcus aureus, Bacillus cereus, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus epidermidis. Conclusões:As maçãs que são rejeitadas pelo circuito comercial podem ser valorizadas através de fermentação, apresentando uma promissora atividade antimicrobiana para algumas espécies bacterianas.

Referências

[1] Hingstona, S. T. & Noseworthy, T. J. On the epidemic of food waste: Idealized prototypes and the aversion to misshapen fruits and vegetables. Food Quality and Preference 2020, v. 86, pp. 1-10. https://doi.org/10.1016/j.foodqual.2020.103999

[2] Reynolds, C. et al. Routledge Handbook of Food Waste, 1ª ed; London: Routledge, 2020; v. 1.

[3] Santos, D.; Silva, J.; Pintado, M. Fruit and vegetable by-products’ flours as ingredients: A review on production process, health benefits and technological functionalities. Lwt 2022, v. 154.

[4] Yaashikaa, P.; Senthil Kumar, P.; Varjani, Sunita. Valorization of agro-industrial wastes for biorefinery process and circular bioeconomy: A critical review. Bioresource Technology 2022, v. 343, p.126126. https://doi.org/10.1016/j.biortech.2021.126126

[5] Hurling, R. & Shepherd R. Eating with your eyes: effect of appearance on expectations of liking. Appetite 2023, v. 41, p. 167-174. https://doi.org/10.1016/S0195-6663(03)00058-8

[6] Hartmann, T., Jahnke, B. & Hamm, U. Making ugly food beautiful: Consumer barriers to purchase and marketing options for Suboptimal Food at retail level – A systematic review. Food Quality and Preference 2021, v. 90, pp. 1-22. https://doi.org/10.1016/j.foodqual.2021.104179

[7] Pfeiffer, B. E., Sundar, A. & Deval, H. Not too Ugly to be Tasty: Guiding Consumer Food Inferences for the Greater Good. Food Quality and Preference 2021, v. 92. https://doi.org/10.1016/j.foodqual.2021.104218

[8] De Hooge, I. E. Promoting the Imperfect: Marketing Strategies to Reduce Product Waste. In Imperfections: Studies in Mistakes, Flaws, and Failures, Ed. Caleb, K., Jakko, K. & Ellen, R. Bloomsbury Academic: New York, 2022, pp. 103-126. https://doi.org/10.5040/9781501380303.ch-004

[9] Castagna, A; Pinto, D.; Mattila, A. & Barcellos, M. D. Beauty-is-good, ugly-is-risky: Food aesthetics bias and construal level. Journal of Business Research 2023, v. 135, pp. 633-643. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2021.06.063

[10] Salazar-López, N. et al. Single-Cell Protein Production as a Strategy to Reincorporate Food Waste and Agro By-Products Back into the Processing Chain. Bioengineering 2022, v. 9, n. 11.

[11] Meléndez-Martínez, A. An Overview of Carotenoids, Apocarotenoids, and Vitamin A in Agro-Food, Nutrition, Health, and Disease. Molecular Nutrition and Food Research 2019, v. 63, n. 15, p. 1311.

[12] Barreira, J.; Arraibi, A. & Ferreira, I. Bioactive and functional compounds in apple pomace from juice and cider manufacturing: Potential use in dermal formulations. Trends Food Sci. Technol. 2019, v. 90, pp. 76-87.

[13] Kędzia, M.; Lewińska, A.; Jaromin, A.; Weselski, M.; Pluskota, R. & Łukaszewicza, M. Fermentation parameters and conditions affecting levan production and its potential applications in cosmetics. Bioorganic Chemistry 2019, pp. 1-8.

[14] Bell, V.; Ferrão, J.; Fernandes, T. Nutritional Guidelines and Fermented Food Frameworks. Foods 2017, v. 6, p. 65, doi:10.3390/foods6080065.

[15] Maicas, S. The Role of Yeasts in Fermentation Processes. Microorganisms 2020, v. 8, pp. 1–8, doi:10.3390/microorganisms8081142.

[16] Moon, K.; Park, J.; Park, Y.; Song, I.; Lee, H.; Cho, H.; Jeon, J. & Kim, H. Development of systems for the production of plant-derived biopharmaceuticals. Plants 2019, v. 9, pp.1-3.

[17] Fruta Feia. Gente bonita come fruta feia. Frutafeia.pt. 2024. Available from: https://frutafeia.pt

Downloads

Publicado

28-08-2026

Como Citar

Ribeiro, T., García, P., Barreiros, L., & Correia, P. (2026). Frutos imperfeitos: uma segunda vida com propriedades farmacológicas . Proceedings of Research and Practice in Allied and Environmental Health, 3(2), 6–7. https://doi.org/10.26537/prpaeh.v3i2.6164

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)

1 2 3 > >> 

Artigos Similares

<< < 1 2 3 4 5 6 

Também poderá iniciar uma pesquisa avançada de similaridade para este artigo.