O devir-animal em Luiza Neto Jorge e Paula Rego: mulher cabra, mulher-cão e outras metamorfoses

  • Maria João Cameira ISCAP – P. PORTO
Palavras-chave: Luiza Neto Jorge, Paula Rego, Gilles Deleuze, «devir-animal», metamorfose

Resumo

As obras de Luiza Neto Jorge e Paula Rego são um bom exemplo de diálogo polifónico entre as várias artes. Sendo contemporâneas, as suas obras, de matriz surrealista, revelam um desejo claro de desconstruir e subverter o conceito tradicional de arte recriando-a. Ambas recorrem obsessivamente a uma identificação com diferentes animais traduzida em metamorfoses completas ou parciais da figura feminina. A atitude da mulher jorgiana, representada, sobretudo, pela mulher-cabra, é sempre a de uma mulher erótica, ativa, agressiva e desafiadora enquanto a animalidade em Paula Rego, protagonizada principalmente pela Mulher-Cão, apresenta a mulher submissa, humilhada, mas revoltada com a sua situação. Se a Neto Jorge se pode aplicar o «devir-animal» deleuziano total, em Paula Rego ele surge «internalizado» projetando-se em figuras grotescas e monstruosas, onde a metamorfose se revela externa. No entanto, nem por isso as mulheres pintadas por Rego são menos insurrectas do que as da escritora.

Publicado
2017-11:-01
Como Citar
Cameira, M. J. (2017). O devir-animal em Luiza Neto Jorge e Paula Rego: mulher cabra, mulher-cão e outras metamorfoses. POLISSEMA: Revista De Letras Do ISCAP, (17), 121-140. Obtido de http://parc.ipp.pt/index.php/Polissema/article/view/2737
Secção
Artigos